O gênero western sempre me atraiu como uma foto antiga de uma bela mulher, em uma moldura de mogno empoeirada. Uma peça que exala nostalgia e que nunca deveria ser reproduzida com técnicas atuais, mantendo-se intocada, única.
Particularmente não gosto de remakes, existindo poucos que realmente são interessantes e que, até mesmo, superem o original. Mas vez ou outra, algo se destaca na multitude. 3:10 to Yuma – Os Indomáveis é um exemplo.
Com um elenco forte e uma direção sólida de James Mangold – Garota Interrompida e Johnny e June -, o filme se destaca do original de 1957. Baseado no conto homônimo de Elmore Leonard escrito nos anos 50, a história trata basicamente do caminho de dois homens que se cruzam, e as interações que surgem a partir desse momento. Um deles é Ben Wade – Russell Crowe, um fora da lei sem piedade com suas próprias regras. O outro é o rancheiro Dan Evans – Christian Bale, um ex-militar aleijado casado e com dois filhos, cuja vida já difícil é devastada aos poucos pela força dos mais poderosos. Após um assalto à uma diligência bem sucedido – do qual Evans é testemunha -, Wade pára para descansar com sua gangue em uma taverna em Bisbee onde dorme com uma linda bartender. Enquanto isso, o fazendeiro, com a ajuda do receptor da carga em dinheiro, leva até o médico/veterinário da cidade o único sobrevivente baleado do roubo, o mercenário Byron McElroy – Peter Fonda. Numa reviravolta do destino, Evans encontra Wade na taverna e o distraindo, colabora com a prisão do bandido. Os homens decidem levá-lo até Contention, para enviá-lo de trem à Penitenciária de Yuma. McElroy, Evans – após se oferecer por dinheiro -, o médico e mais alguns homens se encarregam da tarefa. Desse momento em diante a história literalmente cai na estrada.

O eixo da trama são as trocas de impressões sobre a vida que partem dos protagonistas. Evans é literalmente um cagão, sempre abaixando a cabeça e tentando ser o mais honesto possível – no entanto demonstrando uma audácia adormecida, uma disposição em fazer um grande feito que inspire os filhos. Wade, por outro lado, não possui escrúpulos nem limites, mas no fundo conseguimos enxergar um pouco de empatia nele, um pouco de sensibilidade – o cara desenha e seduz como ninguém. Ao longo da jornada, os dois homens vão se tornando mais amigos do que querem aceitar. Bale nos lembra por que ele é o eterno Badass depressivo em busca de redenção, e Crowe que ainda consegue ser o Son of a Bitch simpático e sedutor. Paralelo à isso, surge a tentação. Um duelo entre a ganância, o poder e a coragem, a vontade de fazer aquilo que é certo independente dos riscos.
O filme é intensamente lindo, com cenários e figurinos consistentes. A trilha sonora indicada ao Oscar composta por Marco Beltrami deixa qualquer um sem palavras, criando o clima perfeito. Ele é brutal, rápido e envolvente.


0 grito(s):
Postar um comentário